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Conservação de forragem é fundamental no planejamento alimentar do rebanho

planejamento alimentar do rebanho

O pla­ne­ja­men­to ali­men­tar do reba­nho é par­te fun­da­men­tal da sus­ten­ta­bi­li­da­de da ati­vi­da­de pecuá­ria e garan­te não só a saú­de e o bem-estar dos ani­mais, mas tam­bém a pro­du­ti­vi­da­de e a ren­ta­bi­li­da­de do sis­te­ma de pro­du­ção. Nes­te sen­ti­do, um dos desa­fi­os que mere­cem a aten­ção do pecu­a­ris­ta se refe­re à esta­ci­o­na­li­da­de da pro­du­ção for­ra­gei­ra, que é o perío­do do ano em que ocor­re dimi­nui­ção da pro­du­ção das pastagens.

Ocor­re que duran­te o perío­do das águas, se o pas­to for bem mane­ja­do, ele apre­sen­ta­rá alta pro­du­ção e alta qua­li­da­de, sen­do este o perío­do mais favo­rá­vel para pro­du­ção de for­ra­gei­ra e pro­du­ti­vi­da­de ani­mal. Porém, quan­do se encer­ra o perío­do das águas, ini­cia-se o perío­do de esti­a­gem que pode durar  até seis meses, depen­den­do da região do País. A redu­ção não somen­te das chu­vas, mas tam­bém de outros fato­res ambi­en­tais, como foto­pe­río­do e tem­pe­ra­tu­ra, fazem com que a pro­du­ção for­ra­gei­ra redu­za consideravelmente.

Para que não haja com­pro­me­ti­men­to da ali­men­ta­ção e da pro­du­ção ani­mal, o pecu­a­ris­ta deve lan­çar mão de estra­té­gi­as de con­ser­va­ção de for­ra­gem para uso no perío­do da seca. De acor­do com a dou­to­ra em zoo­tec­nia e téc­ni­ca de Semen­tes e Sus­ten­ta­bi­li­da­de da Soesp — Semen­tes Oes­te Pau­lis­ta, Mari­na Lima (foto), entre algu­mas das estra­té­gi­as para enfren­tar a esta­ci­o­na­li­da­de de pro­du­ção for­ra­gei­ra estão: o feno, sila­gem, pré-seca­do e dife­ri­men­to de pastagens.

Feno e silagem

O feno e a sila­gem são as for­mas mais comuns de con­ser­va­ção e arma­ze­na­men­to de for­ra­gem, e são ali­men­tos com carac­te­rís­ti­cas espe­cí­fi­cas. No pro­ces­so de ensi­la­gem, ocor­re a fer­men­ta­ção da for­ra­gem na ausên­cia de oxi­gê­nio, onde os açú­ca­res pre­sen­tes na for­ra­gem são con­ver­ti­dos em áci­dos gra­xos, como o áci­do láti­co e acé­ti­co, que con­ser­vam o mate­ri­al por lon­gos perío­dos , poden­do ser arma­ze­na­do e uti­li­za­do duran­te um ano. “A sila­gem é o pro­du­to final após a fer­men­ta­ção, já a ensi­la­gem é todo o pro­ces­so, des­de o cor­te, arma­ze­na­men­to, com­pac­ta­ção e veda­ção. E por sua vez, temos o silo, que é o local onde será arma­ze­na­da a sila­gem, impor­tan­te saber essa dife­ren­ça”, des­ta­ca a especialista.

Na fena­ção, a for­ra­gem é desi­dra­ta­da até atin­gir entre 12 a 18% de umi­da­de, onde o mate­ri­al está pron­to para ser enfar­da­do e arma­ze­na­do. Com isso, o mate­ri­al é preservado.

A dou­to­ra em zoo­tec­nia res­sal­ta que a esco­lha entre feno e sila­gem deve ser pau­ta­da em fato­res eda­fo­cli­má­ti­cos da pro­pri­e­da­de, cate­go­ria ani­mal, obje­ti­vo da uti­li­za­ção, mão de obra, imple­men­tos dis­po­ní­veis e cus­tos de pro­du­ção. Além des­ses aspec­tos, há a esco­lha das semen­tes for­ra­gei­ras ain­da antes do perío­do da seca, mas já pen­san­do como alter­na­ti­va para as estra­té­gi­as de conservação.

As semen­tes Soesp Advan­ced estão dis­po­ní­veis nas espé­ci­es de Bra­chi­a­ria spp. (Uro­ch­loa spp.) e Pani­cum maxi­mum (Megathyr­sus maxi­mus), que aten­dem as neces­si­da­des de uso para a pro­du­ção de feno e sila­gem. “A Soesp dis­po­ni­bi­li­za as semen­tes blin­da­das com a tec­no­lo­gia Advan­ced. São apli­ca­dos dois fun­gi­ci­das e um inse­ti­ci­da ao tra­ta­men­to das semen­tes, garan­tin­do uma mai­or pro­te­ção até sua ger­mi­na­ção, além da alta pure­za e via­bi­li­da­de. Todo esse pro­ces­so tec­no­ló­gi­co asse­gu­ra um valor cul­tu­ral de 80% nas semen­tes de Bra­chi­a­ria spp. e Pani­cum maxi­mum.”, deta­lha a profissional.

Para a pro­du­ção de sila­gem, é impor­tan­te optar por for­ra­gei­ras de alta pro­du­ção de mas­sa seca e valor nutri­ti­vo, como as cul­ti­va­res de Pani­cum maxi­mum: BRS Zuri, BRS Quê­nia e Mom­ba­ça. E den­tre as cul­ti­va­res de Bra­chi­a­ria bri­zantha, pode­mos des­ta­car: BRS Pia­tã, Xaraés e Maran­du. Lem­bran­do que qual­quer for­ra­gei­ra que este­ja como exce­den­te na pro­pri­e­da­de na épo­ca das águas pode ser ensi­la­da, “o impor­tan­te é não per­der pas­to que pode ser uti­li­za­do como sila­gem na épo­ca seca do ano”, des­ta­ca Marina.

Alguns cui­da­dos devem ser leva­dos em con­si­de­ra­ção na hora de ensi­lar gra­mí­ne­as tro­pi­cais, devi­do ao alto teor de umi­da­de no momen­to do cor­te, bai­xo teor de car­boi­dra­tos solú­veis e alto poder tam­pão, que podem ser solu­ci­o­na­dos com uti­li­za­ção de adi­ti­vos que são apli­ca­dos à for­ra­gei­ra no momen­to da ensi­la­gem e que redu­zem as per­das de nutri­en­tes além de ini­bi­rem fer­men­ta­ções indesejáveis.

Já para pro­du­ção de feno, é impor­tan­te optar por for­ra­gei­ras que tenham cres­ci­men­to pros­tra­do, com bom valor nutri­ti­vo e folhas e col­mos mais finos que irão pro­mo­ver rápi­da desi­dra­ta­ção da for­ra­gem. Como exem­plos de for­ra­gei­ras reco­men­da­das para fena­ção, pode­mos des­ta­car: Pani­cum maxi­mum cv. Mas­sai, Pani­cum maxi­mum cv. BRS Tama­ni, Bra­chi­a­ria decum­bens, Bra­chi­a­ria bri­zantha cv. BRS Pia­tã e Bra­chi­a­ria bri­zantha cv. Marandu.

Pré-seca­do

A pré-seca­gem con­sis­te em redu­zir a quan­ti­da­de de água no mate­ri­al, expondo‑o ao sol ain­da no cam­po, logo após a colhei­ta antes de ser arma­ze­na­do. É uma estra­té­gia que impli­ca em menor ris­co do que a fena­ção, pois o perío­do neces­sá­rio para eli­mi­na­ção de umi­da­de é menor. É uma estra­té­gia con­si­de­ra­da inter­me­diá­ria entre a ensi­la­gem e a fena­ção, pois pas­sa pelo pro­ces­so de desi­dra­ta­ção e fer­men­ta­ção. A for­ra­gem é arma­ze­na­da em fil­mes, geral­men­te de poli­e­ti­le­no, for­man­do far­dos que ficam arma­ze­na­dos no cam­po por até 1 ano.

As espé­ci­es mais uti­li­za­das são gra­mí­ne­as de cli­ma tem­pe­ra­do como a aveia (pre­ta e bran­ca), gra­mí­ne­as de cli­ma tro­pi­cal como as dos gêne­ros Cyno­don, Bra­chi­a­ria e Pani­cum.

Dife­ri­men­to de pastagens

O pas­te­jo dife­ri­do ou dife­ri­men­to con­sis­te na inter­rup­ção do pas­te­jo numa área antes do final da esta­ção chu­vo­sa. Essa é mais uma das estra­té­gi­as que visam o acú­mu­lo de for­ra­gem para ser uti­li­za­da em pas­te­jo no perío­do mais crí­ti­co de pro­du­ção de forragem.

Para implan­tar essa alter­na­ti­va, o pecu­a­ris­ta deve sele­ci­o­nar deter­mi­na­das áre­as da pro­pri­e­da­de e excluí-las do pas­te­jo, per­mi­tin­do o acú­mu­lo de gran­de quan­ti­da­de de for­ra­gem. “Essas áre­as são veda­das de for­ma pro­gra­ma­da, do meio para o fim do perío­do das águas, como for­ma de garan­tir for­ra­gem para ser pas­te­ja­da no perío­do seco. É uma estra­té­gia que pro­por­ci­o­na ele­va­da quan­ti­da­de de for­ra­gem, ain­da que com menor valor nutri­ti­vo”, expli­ca a dou­to­ra em zoo­tec­nia da Soesp.

Para dri­blar o pos­sí­vel pre­juí­zo no desem­pe­nho do reba­nho, a pro­fis­si­o­nal ori­en­ta para a esco­lha de espé­ci­es de for­ra­gei­ras com bom poten­ci­al de cres­ci­men­to e capa­ci­da­de de man­ter alto valor nutri­ti­vo no perío­do de veda­ção. “Na Soesp temos vári­as opções de Bra­chi­a­ria e Pani­cum que aten­dem essa estra­té­gia, são pro­du­tos com alta pro­du­ti­vi­da­de, ele­va­da qua­li­da­de, boa cober­tu­ra do solo e faci­li­da­de de mane­jo, todas ain­da com os bene­fí­ci­os Soesp Advan­ced”, acrescenta.

Impor­tan­te que o pecu­a­ris­ta esco­lha for­ra­gei­ras que tenham por­te mais bai­xo, com boa rela­ção de folhas e col­mos, sen­do mais indi­ca­das as cul­ti­va­res de Pani­cum,  BRS Tama­ni e Mas­sai e as cul­ti­va­res de Bra­chi­a­ria, Basi­lisk, Maran­du, Pai­a­guás e Pia­tã. Em rela­ção ao mane­jo da área para o dife­ri­men­to, o pas­to deve ser rebai­xa­do a 10 cm do nível do solo e, em tor­no de 70 kg/ha de adu­bo nitro­ge­na­do deve ser apli­ca­do na área para esti­mu­lar o per­fi­lha­men­to e acú­mu­lo de mas­sa. Já em rela­ção à cate­go­ria ani­mal, essa é uma estra­té­gia reco­men­da­da para pecuá­ria de cor­te, nas fases de recria e engor­da e a suple­men­ta­ção pro­tei­co-ener­gé­ti­ca deve ser con­si­de­ra­da duran­te o período.

Adap­ta­ção

A espe­ci­a­lis­ta res­sal­ta tam­bém que a esta­ci­o­na­li­da­de de pro­du­ção for­ra­gei­ra é conhe­ci­da há mui­to tem­po na ati­vi­da­de e que deve ser tra­ta­da com gran­de impor­tân­cia pelos pecu­a­ris­tas. “É uma carac­te­rís­ti­ca ambi­en­tal, bem esta­be­le­ci­da, então é pre­ci­so estar adap­ta­do e com pla­ne­ja­men­to defi­ni­do com a aju­da de pro­fis­si­o­nais capa­ci­ta­dos. Isso per­mi­te o suces­so dos dife­ren­tes sis­te­mas de pro­du­ção ani­mal e da pecuá­ria inten­si­va como um todo, garan­tin­do cada vez mais sua expan­são sus­ten­tá­vel no Bra­sil”, finaliza.

Fon­te: Soesp